Bernardo Santareno (1920-1980)
Bernardo Santareno é pseudónimo de António Martinho do Rosário, um dos mais importantes dramaturgos portugueses contemporâneos. Nasceu em Santarém em 1920 e faleceu em 1980, em Oeiras.
António Martinho do Rosário licenciou-se em Medicina, na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra e exerceu psiquiatria. Iniciou a sua carreira literária com os seguintes livros de poesia: A Morte na Raiz (1954), Romances do Mar (1955) e os Olhos de Víbora (1957).
A revelação do talento dramatúrgico de Santareno deu-se em 1957, com as peças: A Promessa; O Bailarino e a Excomungada. Nesta primeira fase da sua produção, o autor escreve ainda peças como O Lugre (1959); António Marinheiro (1961), O Duelo (1961). O Pecado de João Agonia e Anunciação, obras marcadamente interventivas onde denuncia intolerância em matérias de ética e de política, o que lhe motivou a proibição de muitas peças pela censura.
O dramaturgo prossegue a sua obra sem uma ruptura com o período anterior. Em 1966 0 Judeu, seguiu-se lhe O Inferno (1967), A Traição do Padre Martinho (1969), a obra autobiográfica Português, Escritor, Quarenta e cinco anos de Idade (1974), O Punho (1977), e os Marginais e a Revolução (1979).
O Judeu, misto de drama histórico e drama de intervenção, é provavelmente a sua peça mais acabada e representativa. Desenvolve-se em torno de António José da Silva, vítima de perseguição pela inquisição. Ao longo da peça, são explorados os paralelismos entre a perseguição que é feita ao protagonista e a situação política e social durante o Estado Novo.
"este teatro, radicado nos costumes, nas crenças, nas superstições, no feitio rude e trágico dos pescadores portugueses de um povo piedoso e testicular, é o teatro existencial, uma lição de realização integral do homem, de harmonia procurada (através da luxúria, do crime e da santidade) no encontro do individuo consigo mesmo".
Urbano Tavares Rodrigues


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